Prédios com lojas no térreo valorizam comércio dos bairros

Os edifícios mistos nasceram como uma solução para rentabilizar melhor os empreendimentos, mas se tornaram um impulso na economia local

14/10/2019

Edifícios residenciais que têm lojas no térreo são tendência. Entre os motivos para isso estão a comodidade para os moradores, com a oferta de comércio e serviços perto da casa, o fato de as empresas estarem mais perto da clientela e a contribuição para a melhoria da mobilidade. Tanto que esse tipo de projeto é estimulado por prefeituras. O que já se percebe com as obras entregues é que esses empreendimentos dão mais dinamismo e valorizam o comércio e o serviço nos bairros.

Na Grande Vitória, esse movimento é observado em regiões, como Jardim Camburi e Enseada do Suá, na Capital; Itaparica, em Vila Velha; e Laranjeiras, na Serra. Embora ainda haja lojas vazias em alguns deles, já é possível ver novos comércios. A expectativa é que isso aumente, com o aquecimento da economia.

Márcio Passos, secretário de Desenvolvimento de Vitória, explica que o município incentiva a implantação de prédios residenciais com lojas no térreo para dar mais vida aos bairros, como maior movimentação de pedestres, o que gera mais segurança. “Além disso, aumenta a oferta de empregos locais e reduz os deslocamentos, favorecendo a mobilidade ativa, na qual o morador pode fazer o consumo a pé, de bicicleta e de patinete”, afirma.

A Lorenge é uma das construtoras que possui esse perfil em seus empreendimentos. No Spazio Moreira Lima, em Bento Ferreira, por exemplo, todas as lojas já foram vendidas. “Há uma grande busca por esse tipo de empreendimento. Para o lojista, é muito bom, pois alia um prédio com segurança e público consumidor fiel, pois dará preferência de compra à loja do prédio onde mora”, analisa Samir Ginaid, diretor comercial da construtora.

A Metron também tem essa opção em um edifício na Praia do Suá. “Morar em um prédio com lojas no térreo é uma forma de garantir praticidade ao dia a dia. O projeto é pensado para esses pontos serem ocupados por serviços que atendam aos moradores”, afirma Márcia Waléria Bertaso, diretora de incorporações da construtora.

Em Vila Velha, uma avenida onde se nota nitidamente a mudança é a Saturnino Rangel Mauro, em Itaparica, onde o térreo de dezenas de condomínios deu lugar a salões de beleza, lanchonetes, padaria, cafés, academia, lojas de roupas, petshops, entre outros.

A empresária Nique Ribeiro viu uma oportunidade nesses espaços. No final de 2018, passou a se dedicar ao que gosta e começou a produzir bolos em casa para vender.

“Deu tão certo, que resolvemos montar a loja. Morei na Praia de Itaparica quando criança e sempre fui apaixonada. Juntei dois sonhos: voltei a morar aqui e abri uma casa de bolos no térreo de um edifício. O bairro mudou muito. Antes, não tinha esse comércio ativo. A rua está cada vez mais movimentada.”